Até à extinção das ordens religiosas, ocorrida em 1834, e mesmo depois do convento ter ficado em escado de ruína, em grande pane motivada pelo cerramo to de 1755, foi habitado por alguns frades jerónimos. D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, que casou com D. Maria Il em 1836, muito rapidamente se enamorou de Sintra, e panicularmente deste local, onde naquela época emergiam, no topo da Serra, as ruínas do antigo convento. O ilustrado príncipe alemão, coleccionador ecléctico e destacado mecenas de alguns artistas portugueses da época, partilhava assim o gosto pela riqueza natural da serrania, a mesma que havia já entusiasmado os espíritos românticos de Beckford e de Lord Byron.

Em 1838, D. Fernando II adquiriu o imóvel, cerca anexa, mata e Castelo dos Mouros, iniciando-se de imediato as obras de reabilitação do antigo convento. Em 1840 rasgou-se a estrada que dá acesso ao palácio, e em 1844 iniciaram-se definitivamente as obras da parte nova, segundo o projecto do engenheiro alemão von Eschwege, figura curiosa de naturalista, geólogo e botânico. Atento à voga do revivalismo e de recuperação do gótico, Eschwege recorreu a uma fantasiosa decoração inspirada no estilo manuelino, decerto por imposição do rei, mesdando-a com elementos característicosdo neogótico germânico e outros colhidos da arquitectura oriental.

Com a plantação do Parque Natural envolvente todo o conjunto resultou num dos mais excepcionais monumentos da arquitectura romântica e gosto pela natureza, tornando-se, assim, um património que hoje se reveste de grande interesse internacional. (Guia do Palácio da Pena -IPPAR)

O Palácio Nacional da Pena em panoramas 360°

Desde D. João 1(1356-1433), existia neste lugar uma ermida/santuário mariano, dedicado a Nossa Senhora da Pena. Em 1493, o rei D. João II veio a este local cumprir uma promessa, acompanhado pela rainha D. Leonor. Foi com D. Manuel !, o grande monarca dos Descobrimentos portugueses, que se desenvolveu e enraizou o culto neste lugar, sendo construído, por ordem deste rei, um convento destinado à Ordem de São Jerónimo.

Primeiro foi construído um edifício em madeira (1503), porém, atendendo à vulnerabilidade e pouca duração do material, foi erguido, no mesmo local, um outro, mas em cantaria (1511). Data desta primeira época do convento, além do elegante claustro tardo-gótico, o magnífico retábulo renascentisca em alabastro que se conserva na capela do palácio. Concebido entre 1528 e 1532 pelo escultor francês Nicolau de Chancerenne, apresenta uma rica fi uração escultórica inspirada no Novo Testamento, destacando-se as cenas da infância de Cristo.