Carlos Alberto Cabral, Segundo Conde de Vizela, recebe em herança da sua mãe em 1925 a propriedade de Serralves.
Serralves nessa época tinha um jardim romântico, ainda existente, e na frente da rua de Serralves, duas casas com uma capela construida em 1882 ao centro.
A intenção inicial do Conde de Vizela foi a de ampliar a casa voltada para ocidente da Capela, preservando a Capela, por esta ter culto, sendo usada pela vizinhança.
Em 1927 pede os serviços do arquitecto que trabalhou para a famÌlia no projecto de urbanização do quarteirão onde se encontrava o antigo convento das Carmelitas, Arqº Marques da Silva.
Entre 1927 e 1943, o que inicialmente seria apenas um aumento de uma casa existente com um pequeno arranjo de jardim envolvente, acabou por se transformar na obra mais importante de Arte Deco em Portugal.
Por ela iriam participar nada menos do que 4 Projectistas :

Charles Siclis (Proposta para a envolvente exterior da casa)
Emile Ruhlmann (Decoração mobilia e interiores)
Jacques Greber (Jardins)
Marques da Silva (Integração e detalhamento de todos os projectos na obra)

Marques da Silva é um Arquitecto clássico que estudou nas Beaux Arts de Paris, tem um estilo eclético neo-clássico marcante, e utiliza principalmente o granito. As suas obras mais marcantes no Porto são a Estação de S.Bento, o Teatro de S.João, e alguns dos edificios da Praça da Liberdade. Em Guimarães destaca-se o Santuário da Penha, o edificio da Fundação Morais Sarmento, o Mercado municipal, os arranjos da envolvente do Castelo e o Santuário de S.Torcato.

Casa de Serralves em 360º

O Conde de Vizela pretendia uma casa que utiizasse a estética mais actual para a época, e a Arte Deco encaixava-se dentro dos seus gostos influenciados pela sua vivencia com França.
Em 1930 pede a opinião de um conhecido Arquitecto francês Charles Siclis, que entre outras obras tinha projectado o Theatre Pigalle em Paris. Siclis envia em tempo recorde de 15 dias, dois desenhos de ambas fachadas da futura casa de Serralves, identicos ao que actualmente vemos construido.
Em 1931 entra o projecto de licenciamento na Camara Municipal do Porto, assinado por Marques da Silva, onde ainda se inclui a casa orginal. Em 1934 decide-se demolir a casa original. Nasce assim o actual pátio entre a Capela e a entrada de serviço.

Nesse mesmo ano Marques da Silva apresenta uma solução para o Jardim exterior, mais ambiciosa, criando dois eixos de crescimento;
Um para sul a partir da Sala de Jantar,e outro para Oeste, a partir da Sala de estar.
Esta ideia irá ser aproveitada pelo ArqºJacques Greber (Autor dos Jardins do Trocadero em Paris, e de muitos jardins de grandes propriedades nos Estados Unidos onde trabalhou durante 10 anos).
A Capela original é emparedada, de forma a se conseguir uma melhor integração estilística com o resto da casa.
O interior é uma perfeição de execução, em todos os aspectos, principalmente no trabalho de interligação das soluções decorativas dos vários espaços.

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