Barroco em Portugal em panoramas 360º
Arquitectura religiosa, gótica,renascentista e barroca. Inicada a sua construção em 1405, quando foi aceite pelo Papa Inocencio VII o pedido de D.Filipa de Lencastre para transferir as monjas Clarissas do Torrão (Entre-os-Rios) para o Porto. Obra patricionada pelo Rei D.João I. No Séc. XVI o interior recebe alguns melhoramentos (Orgão). Durante o século XVIII sofre alterações, com a construção de novos dormitórios, ampliação da capela mor, e em 1730 é contratado MIguel Francisco da Silva para a ampliação da igreja (em altura) e seu revestimento a talha dourada. É essa magnífica obra, que hoje podemos apreciar no seu interior.
Igreja de Santa Clara - Porto


Igreja de S.Francisco - Porto
O edifício de estilo gótico iniciada pelos frades observantes em 1245 foi reconstruída em 1383 e concluído somente em 1410. O mosteiro sofreu uma reconstrução, e só foi concluído em 1425. Esta foi provavelmente a mais importante melhoria realizada sob o patrocínio eventual do rei, D. João I. Nos séculos XV e XVI, algumas famílias nobres da cidade, entre eles o de família Brandão e da família Carneiro, escolheu esta igreja como seu panteão. Em vista disso, com o passar do tempo e o crescente conhecimento de novos gostos, a igreja passou por mudanças.
Nos séculos XVII e XVIII, o interior foi totalmente coberto com decoração em talha dourada uma expressão de uma riqueza decorativa significativa no Porto.

S.Pedro de Miragaia - Porto
A talha da capela mor desta igreja foi executada durante periodo de reconstrução da velha igreja (1717-1730). O retabulo da capela foi executado pelos entalhadores António Gomes e Filipe da Silva entre 1719 e 1720, e o douramento entre 1721 e 1722. É anterior ao retábulo mor da Sé (1726) que marcou um novo estilo.

Igreja dos Carmelitas - Porto
Igreja dos Carmelitas foi construida entre 1616 e 1628, sendo que os seus retábulos ficaram prontos am 1650. O retábulo mor em talha dourada, rocaille (rócócó), é de autoria de Joaquim Teixeira Guimarães.

Em conjunto com a vizinha Igreja do Carmo foi recentemente protegida como monumento nacional.


Igreja de S.Bento da Vitória - Porto
O convento foi fundado no fim do séc XVI, nos terrenos onde anteriormente se localizava a Judiaria do Olival. A construção da igreja prolongou-se por todo o séc. XVII. Foi projectada pelo Arquitecto Diogo Marques. 1717-20 Talha do coro alto, arranjo do retábulo-mor e sua tribuna pelo entalhador Gabriel Rodrigues.1718 Obra do cadeiral do coro alto pelos ensambladores António Cardoso e Manuel Vieira. Os retábulos das capelas laterais são construidos em1722-25. Os dois retábulos do transepto são construidos pelos entalhadores José da Fonseca Lima e José Martins Tinoco em 1755.
Talha Dourada Séculos XVII-XVIII
Igreja do Carmo - Porto
Foi construida da segunda metade do século XVIII (1756-1768) pela Ordem Terceia do Carmo. Projecto do Arqº José Figueiiredo Seixas. Esta igrejja está geminada com a Igreja dos Carmelitas, sendo que para a sua construção tiveram que reconstruir a Torre sineira da Igreja dos Carmelitas do lado poente. Foi recemente classificada de monumento nacional. No seu interior temos o retábulo-mor construido e desenhado pelo entalhador Francisco Pereira Campanhã em 1773, e os 6 retábulos laterais em talha dourada de 1771 de autor desconhecido.

Igreja dos Clérigos - Porto
Trata-se de um conjunto de 3 edificios ; Igreja, Enfermaria e Torre, construidos em diferentes etapas. A igreja construida entre 1731 e 1748; a Enfermaria termina em 1758, e a Torre entre 1754 e 1763. É a obra mais importante do Arquitecto italiano Nicolau Nasoni. A principal caracteristica da Igreja é a sua planta elíptica com a sua capela-mor rectangular integrada no edificio da Irmandade. O alinhamento dos vários volumes da igreja, tirando partido do desnivel do terreno, também tornam única esta obra.
O retábulo mor em talha dourada é obra de Joaquim Rafael finalizado no ano de 1812.

Sé Catedral - Porto
O edificio original de estilo romanico é construido entre os séc. XII e XIII ao lado norte do templo inicial do séc. XI. Teve intervenções e alterações em todos os séculos excepto no séc.XIX. Os arquitectos que aqui trabalharam foram : 1682 Domingos Lopes; 1725-39 Niclau Nasoni; 1927-49 Baltazar da Silva Castro; 1989 Fernando Távora. Entre 1717-41 dá-se a maior transformação da Sé. Durante esse processo é reconstruida a capela mor, assim como a cupola na vertical do cruzeiro do transepto. A decoração interior desta novo espaço envolve vários entalhadores, e a pintura de ilusão (Tromp L´Oeil), pelas quais Nasoni ganha notoriedade.

A arte barroca surge-nos no séc XVII. Nascida em Roma, numa área cultural que desde os inicios do séc. XV, vinha desenvolvendo uma actividade de vanguarda, o barroco torna-se uma tendência comum a todas as artes. Profundamente ligado à Contra-reforma da igreja Católicam esta nova corrente artistica foi adaptada ao universo de sociedades muito diferentes, dando origem a escolas e tendências.

Em Portugal a madeira ocupa o mesmo lugar priveligiado que o mármore em Itália, ou a pedra macia em França no interior das igrejas. Entre 1500 e 1800, a talha dourada e policromada parece aplicar-se a qualquer aspecto do interior do templo, em retábulos dos altares, nos púlpitos, nas janelas e sanefas, nos coros, tectos e arcos cruzeiros. Em muitos casos, paredes interiores foram revestidas a talha dourada, seguindo uma estética essencialmente ibérica, as chamadas igrejas forradas a ouro. Na europa a arte de entalhar madeira é antiquíssima, mas devido à relativa fragilidade do material, comparativamente à pedra/marmore/metal, são poucas as peças em madeira feitas antes do séc XV.

No séc. XV, com o restaurar de certas técnicas utilizadas em construções de madeira, esquecidas desde o fim da época Romana, o norte da europa enriqueceu-se de obras primas executadas em carvalho, dando origem a uma autentica industria de entalhar retábulos e cadeirais nas cidades fabris dos Países baixos, da Alemanha e da França Setentrional. Com a crescente expansão desta indústria, entalhadores do norte (principalmente Flamengos) trouxeram, primeiro, à Espanha e, em seguida a Portugal as suas obras que rapidamente conquistaram o gosto artístico na peninsula.

Neste espaço mostro algumas das principais igrejas que se destacaram pela arte em talha dourada dos seus interiores. São templos muitos deles anteriores ao barroco, mas que durante o ciclo do ouro do Brasil, foram completamente remodelados com recurso à talha dourada.